domingo, 29 de agosto de 2010

Universidade e mercado em lados opostos

Por: Joyce Trindade - Folha Dirigida, 23/08/2010 - Rio de Janeiro (RJ)

O que os estudantes mais desejam é conseguir ingressar no mercado de trabalho e alcançar a realização profissional. Para isto, milhares de jovens buscam ingressar em universidades e faculdades de todo o país. Porém, chegar ao ensino superior ainda está longe de ser garantia de uma colocação de destaque no mercado.

Mesmo após frequentarem os bancos universitários por três, quatro, cinco anos, não são poucos os recém-formados que ainda chegam despreparados às empresas. E a causa já é conhecida há tempos: as salas de aulas geralmente não conseguem se aproximar da realidade das organizações onde os alunos se tornam funcionários.

O enfoque teórico que muitos cursos possuem contrasta com as demandas de natureza prática das empresas. Além disto, enquanto a formação universitária muda a passos lentos, o dinamismo do mundo corporativo impõe, em ritmo mais acelerado, novas exigências ao profissional, como dinamismo, espírito empreendedor, habilidade em trabalhar sob pressão e com foco em resultados. E o mercado, ao que parece, valoriza estes e outros atributos ligados a atitudes e comportamentos, e que passam longe dos currículos das graduações, como destaca Daniela Azevedo, especialista em Recursos Humanos da Telefônica Oi. "É importante que o estudante ou recém-formado saiba fazer bem suas atividades, mas não esqueça também como deve trabalhar em equipe, como ele deve lidar com as pessoas, como deve ser a comunicação dele com a empresa", defende a especialista.
Por causa desta distância entre a formação universitária e as demandas do mercado de trabalho, as oportunidades de estágio têm sido encaradas como cada vez mais estratégicas, pelos estudantes. Não por acaso, eventos como a Mostra PUC, que terminou na última sexta, dia 20, mobilizam multidões em busca não só de preencher currículos, mas, sobretudo, de saber o que as companhias esperam dos profissionais. O problema é que, hoje em dia, em vários casos, não é possível esperar o período de estágio para adquirir certas competências.
A própria seleção para as vagas já considera isto, como diz a gerente de Recursos Humanos da Seguradora Mongerau Aegon, Carla Muniz. Um dos problemas que ela percebe nos estudantes é a dificuldade de entender que cada empresa tem sua cultura, sua forma de se organizar. Ou seja, nem sempre dá para fazer algo do jeito que aprenderam no ambiente acadêmico. "Muitas vezes, o estudante aprende sobre um assunto na faculdade e percebe, ao entrar em uma empresa, que a prática sobre aquilo é totalmente diferente", destaca a especialista, para quem as competências comportamentais deveriam ser mais trabalhadas na faculdade. "É dada mais importância à inteligência intelectual, em detrimento da inteligência emocional. Muitos profissionais ingressam nas empresas com muita técnica e conceitos, mas com grandes carências quanto ao relacionamento interpessoal."

Empresas precisam investir para complementar a formação - A falta de sintonia entre a formação universitária e o mercado gera um custo para as empresas, que, em vários casos, precisam realizar cursos e outras atividades para ajustar o perfil do recém-formado àquele que exige de seus profissionais. "Para minimizar essa diferença, investimos em ações de desenvolvimento voltadas para o trabalho de competências na organização", diz Daniela Azevedo, da Oi. De acordo com a account manager para recrutamento da IBM Brasil, Sandra Garbo, a empresa também realiza inúmeras ações de capacitação dos profissionais. "A faculdade poderia trabalhar mais esses aspectos através de palestras, grupos de trabalho e visitas de empresários de sucesso e diretores de empresas à faculdade, para contar suas experiências e o modo como alcançaram suas metas", analisa.

Outra empresa que busca oferecer capacitação a seus colaboradores, sempre que necessário, é a Ipiranga. A gerente e Recursos Humanos da companhia, Mônica Garcez, até acredita que as faculdades têm se esforçado para o ensino não ficar só na teoria, principalmente por meio de estágios internos e empresas juniores. Mas, ela salienta que ainda há espaço para melhorar a interação com o mercado e que os formandos só têm a ganhar com isto. "O que percebemos é que quando contratamos alguém que já possui essas habilidades desenvolvidas, ele consegue ascender profissionalmente mais rápido", comenta.

Sentir falta de algumas competências não significa que as empresas não valorizam a formação universitária. o diretor de Recursos Humanos da TIM, Flávio Morelli, por exemplo, acredita que nem tudo o que é esperado pelo mundo corporativo, atualmente, pode ser desenvolvido no ensino universitário. Para ele, o papel de uma universidade vai além. "Como uma faculdade vai ensinar alguém a ter espírito inovador, por exemplo? Os alunos interessados é que devem correr atrás desse desenvolvimento", afirma o diretor. Daniela Azevedo, da Oi, acredita que outros pontos que são foco na formação de nível superior também são importantes para os profissionais. "A faculdade tem que ter uma papel de formadora de cidadão, não só de aluno."

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