domingo, 5 de abril de 2009

Universidades no combate ao plágio

Jornal da Tarde Online – 02/04/09

Instituições recorrem a softwares para detectar cópia em trabalhos acadêmicos

Preocupadas em combater o plágio em trabalhos acadêmicos, instituições de ensino superior têm adotado programas de computador que ajudam o professor a identificar os casos suspeitos. Recentemente, a Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a Faap e o Senac SP aderiram à ideia. A Universidade Anhembi Morumbi e a Universidade Cruzeiro do Sul utilizam esse tipo de ferramenta desde o início de 2008.

Alguns desses softwares estão disponíveis gratuitamente na internet. Os mais elaborados, em geral pagos, analisam cada parágrafo do documento enviado pelo aluno e o compara com o conteúdo de bilhões de sites da internet e de algumas bibliotecas eletrônicas, elaborando um relatório com o índice de coincidências encontradas.

Esse é o caso do Safe Assign, um dos mais usados no País. O programa também compara o trabalho com todos os outros já submetidos à sua base de dados. “Isso permite ao professor descobrir, por exemplo, se o aluno está reaproveitando uma pesquisa já apresentada em anos anteriores”, explica Emerson Fabiani, coordenador da Escola de Direito da FGV. “O software não apenas identifica o trecho copiado como aponta o endereço eletrônico do conteúdo original”, conta.

O professor do Mackenzie Ismael Silveira utiliza dois outros sites para combater a fraude: www.plagiarismdetect.com e www.plagium.com. Com base em um documento, eles fazem a busca na internet por textos similares. “Mas esses programas não são infalíveis, é preciso tratar o problema na raiz”, diz o professor, que defende ações para conscientizar os alunos da importância que os trabalhos acadêmicos têm na formação. “Quanto mais o orientador acompanha o desenvolvimento do trabalho mais improvável será o plágio”, avalia.

O professor da Universidade de Brasília (UnB) Marcelo Hermes - coeditor das revistas científicas PLoS One e Comparative Biochemistry and Physiology - é usuário assíduo do site Deja vu, que detecta plágio em artigos científicos. Ele identificou, entre 1990 e 2006, 386 trabalhos de pesquisadores brasileiros apontados pelo programa de varredura como suspeitos.

“Apenas 29 casos foram analisados e 8 considerados fraude. Acredito que 90% desses casos sejam de autoplágio, ou seja, o autor faz uma maquiagem em um artigo seu já publicado e o submete a outra revista, o que é antiético.”

Hermes ressalta que as fraudes aumentaram muito após 2001 e atribui o fato ao aumento da pressão por produtividade por parte das agências de fomento à pesquisa. “Estão mais preocupados com a quantidade do que com a qualidade da produção científica. ”

PIRATARIA

A pirataria de livros no Brasil foi destaque no relatório anual da Associação Internacional de Propriedade Intelectual.

O documento menciona como uma das causas a cópia de trechos de livros - e até de obras inteiras - largamente difundida nas universidades.

Pesquisas do setor apontam queda de 44% na venda de livros entre 1992 e 2003, enquanto o número de alunos no ensino superior mais que dobrou.

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